Sabores da Terra da Calábria em São Paulo – 2019

No dia treze de junho de 2019, realizou-se em São Paulo um grande evento de enogastronomia italiana: Sabores da Terra da Calábria. Doze empresas da região da Calábria, Itália, apresentaram o que a região tem de melhor entre queijos, azeites de oliva, temperos, pates, conservas, biscoitos e vinhos IGP, IGT e DOC. Na oportunidade, os convidados puderam conversar com os produtores e degustar os produtos. O evento foi promovido pela Câmara Ítalo-Brasileira de Industria e Comércio – ITALCAM. A degustação dos Sabores da Terra da Calábria aconteceu no concorrido Circolo Italiano San Paolo, Edifício Itália e contou com a participação do Cônsul-Geral da Itália em São Paulo. A seguir nossas impressões sobre o que degustamos:

Casa Vinícola Criserà: o gentil Enólogo Daniel Ravetta (contato@brindeswinebar.com.br ou @danielravetta) teceu considerações sobre os rótulos Calábria I.G.P. e I.G.T., vinhos elaborados majoritariamente com variedades autóctones do Sul da Itália, inéditas por aqui. São representativos do potencial da região e são dotados do almejado “sentido de lugar”. A seguir as descrições dos vinhos degustados:

Criserà Costa Viola bianco IGT 2018 – Álcool: 13,5% – Variedades:  Chardonnay e Greco – Aqui as videiras são cultivadas em”terraços”. O termo Costa Viola é originário de Platão que, navegando pela costa da Calábria, impressionou-se com os vários tons de roxo da extraordinária  paisagem ao pôr do sol. O roxo é também a cor da uva, ao longo dos séculos, desta faixa de terra que é cultivada pela chamada prática da viticultura heroica. Este termo origina-se da morfologia do território, íngreme e suspenso acima do mar e ao longo do qual as populações foram induzidas a construir “armaciere”, muros de pedra seca que permitiram por um lado manter o solo de possíveis  deslizamento de terra, enquanto por outro criar os terraços ideais cultivar as videiras. Análise organoléptica: palha claro. Aromas florais e cítricos. No paladar é leve, balanceado e frutado (pêssego). Leve acento mineral. Persistência média. Ligeiramente adocicado, sem amargor. Branco descomplicado, que pode ser bebido sozinho, mas que certamente crescerá à mesa.

Criserà IGP Calábria 2018 – Álcool: 12,5% – Variedade: Greco Bianco – palha quase translúcido. Aromático com notas de frutas tropicais (damasco, pêssego e nêspera) sobre um fundo mineral que vinca o conjunto. Na boca subscreveu integralmente as sensações aromáticas. Leve, mineral, frutado, dotado de acidez delicada que lhe dá frescor e vivacidade. Um branco que deve crescer à mesa.

Criserà Rosso IGP Calábria 2017 – Álcool: 12,5% – Variedades: Sangiovese, Gaglioppo e Nerello – aqui as variedades utilizadas são: a onipresente Sangiovese (aqui trata-se de um clone diferente do Toscano) e as autóctones Gaglioppo e Nerello, este tinto exibiu aromas frutados e taninos um pouco adocicados, num estilo parecido com o dos Primitivos. Corpo e persistência médios. vinho simples, macio, sem amargor.

Criserà Armacía Costa Viola Rosso IGT Calábria 2017 – Álcool: 13% – Variedades:  Prunesta, Malvasia Nera e Gaglioppo – A Costa Viola é a única área na Calábria que é contada pelo CERVIM di Aosta (centro de pesquisa e estudos para o desenvolvimento da viticultura de montanha) entre os terraços onde a viticultura é praticada em encostas íngremes ou montanhas. As paredes de pedra centenárias ao longo dos 20 km de Costa Viola de Reggio Calabria (estima-se que sejam cerca de 4.000 km de muralhas) viram nascer gerações de “produtores de vinho heroicos” eis que operam em condições extremas devido à natureza orográfica do território com encostas imensas, custos proibitivos em termos de horas de trabalho e mão de obra. Por fim, Armacía é uma parede de pedra onde crescem as vinhas na Costa de Viola, perto do estreito de Messina. Análise organoléptica: vinho de coloração escura, brilhante, quase púrpura. Aromas complexos: frutas vermelhas, especiarias, leve herbáceo. Boca macia, taninos de boa qualidade, acidez correta e álcool integrado. Vinho frutado, equilibrado, redondo, persistente, com mineralidade bem marcada.

Criserà Nerone di Calabria 2014 – Álcool: 14% – Variedades: Nerello Calabrese (70%) e Sangiovese (30%) – o rótulo impactante dá uma noção do caldo engarrafado… a Cantina Criserà é um dos bons produtores da Calábria, eis que há mais de quatro gerações se dedica arduamente a uma viticultura de resultados num território quase impenetrável, de difícil prática para a viticultura, mas em contrapartida as dificuldades são superadas pelos resultados (Davide Lodato). Este Nerone é fermentado e amadurecido em barricas de carvalho. Na taça sua cor é intensa, profunda, quase impenetrável. Aromas complexos com as especiarias saltando na frente para logo ceder espaço para fruta-passa, chocolate, couro sobre ligeiro terroso. No paladar a sua entrada revelou um tinto potente, profundo, concentrado, solidamente estruturado, tânico (ótima qualidade), de acidez vibrante, tudo a subscrever as sensações olfativas. Aqui também mostrou acento mineral, mas sem exuberância de fruta. 

No evento tivemos oportunidade de provar o refrigerante Bergo-Bergamotto ou simplesmente “Bergò”, sem importador para o Brasil (info@bergo-bergamotto.com). Elaborado com bergamota/mexerica calabresa – cujo aspecto é muito similar a um limão siciliano – revelou-se leve, refrescante e de sabor agradável. É o tipo de bebida apropriado para praticantes de atividades físicas, por exemplo. No folheto cujo título é “La prima bevanda al bergamotto in lattina” (a primeira bebida de bergamota em lata), está mencionado que “Bergò é uma bebida gaseificada de suco de bergamota feito 100% de frutas cítricas da Calábria. Fresco e digestivo, com um sabor inimitável e baixos teores de açúcares, Bergò é uma bebida excelente para ser consumida com alguns cubos de gelo; Bergò pode ser utilizado na preparação de coqueteis, bebidas alcoólicas e não-alcoólicas … o seu sabor e aroma são adequados a todos os gostos. Seco ou doce seu coquetel certamente será especial”.

Vecchio Amaro Del Capo, um excelente licor de 29 ervas calabresas, flores, frutas e raízes, que deve ser servido a menos -20°C para que emerjam com força total os aromas de hortelã, anis e alcaçuz, enquanto as ervas criam uma experiência sensorial fresca e sedutora. Tudo guardado numa receita secreta única e inimitável.

Aqui as explicações do calabrês Carmelo Antonio Basile (foto acima), da Fattoria Della Piana, fizeram a diferença. Caciocavallo, Gran Riserva Pecorino Stagionato, Pecorino Calabrese e Canestrato D’Aspromonte – foram alguns dos deliciosos queijos provados. O primeiro, Caciocavallo, elaborado exclusivamente com leite de vaca calabresa, tem sabor agradavelmente picante. O GRPS temperado – pecorino clássico, é um queijo puro de ovelha; a casca é macia e o núcleo se caracteriza por um sabor atraente que distingue o aroma. O PC tem sabor  bem caracterizado pelo leite de ovelha, de pasta branca compacta. Já o Canestrato D’Aspromonte foi o que mais chamou atenção, por ser um queijo de vaca e ovelha amadurecido de massa dura e não cozida. Crosta dura e listrada. Forma com base circular, sabor sápido, picante, amendoado, que deve harmonizar perfeitamente com vinhos brancos italianos (Trebbiano por exemplo) e franceses (Borgonhas). Persistente, interminável seu retrogosto é deliciosamente sofisticado. Foi primeiro lugar no concurso italiano Alma Caseus consoante certificado apresentado por Carmelo. Enfim, os queijos da Fattoria Della Piana falam principalmente do lugar de onde vem, por isso, merecem um bom importador.

CONCLUSÃO –

A Calábria, estreita biqueira da bota italiana, apresenta o litoral mais deslumbrante da Itália e já foi colônia grega; no dialeto local, gutural e incompreensível para estranhos, ainda se sente a influência do grego e do latim. A Calábria era conhecida apenas como produtora de vinho comum  vendido a granel. Hoje, todavia, seus produtos se firmam no mercado italiano por conta de sua autenticidade e qualidade com destaque para seus excelentes queijos, licores, biscoitos, etc.. Assim, é natural que também sejam oferecidos ao mercado externo e o Brasil é um mercado natural em razão dos fortes laços culturais que unem as duas nações. Nesse contexto, acreditamos que a importação dos produtos exibidos seja apenas uma questão de tempo, eis que são de qualidade surpreendente, havendo, inclusive, espaço para os vinhos que demonstraram o que a região pode nos oferecer. Eventuais interessados poderão contatar a Câmara Ítalo-Brasileira de Indústria e Comércio – ITALCAM. www.italcam.com.br – Adriana Mira é a Diretora Geral: [email protected]

Nossos agradecimentos a Daniela Meirelles e Nadia Fossa.

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PORTO & DOURO WINE TASTING SÃO PAULO 2018

Category: Eventos

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